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Origem | Função |
Comportamento |
Morfologia |
Raças |
Eficácia
Eficácia
A avaliação da eficácia dos cães de gado é geralmente
efectuada de acordo com três critérios: i)
evolução
do número de prejuízos; ii)
comportamento
do cão de gado; e iii)
satisfação
do proprietário. Os dados comportamentais são
utilizados para complementar a avaliação, uma vez que
a evolução anual do número de prejuízos
pode ser influenciada por muitos factores externos à qualidade
do cão. A satisfação do proprietário relativamente
ao desempenho dos seus cães é também um critério
importante para avaliar o sucesso deste método de protecção,
uma vez que a sua avaliação pode diferir da realizada
pelos técnicos.
A avaliação dos cães de gado só deve ser
efectuada após os cães atingirem a maturidade (18-24
meses de idade), pois antes dessa altura não se deve esperar
que o cão comece a defender eficazmente o rebanho.
Apesar da sua elevada eficácia, a utilização
de cães de gado de qualidade pode não impedir totalmente
a predação, sendo importante a conjugação
com outros métodos de protecção complementares
para a obtenção de melhores resultados. Além disso,
em determinadas situações, os cães de gado podem
não ser o método mais eficaz. A selecção
dos métodos a utilizar deve ter em conta a sua adequação às
condições existentes, nomeadamente, ao tipo de pastoreio
e de pastagem, à espécie e densidade do predador, e ao
efectivo e espécie/raça do rebanho.
Análise
dos prejuízos
Os dados relativos a 40 cães de gado das raças
Cão
de Castro Laboreiro e
Cão da Serra da Estrela de
pêlo curto, integrados em rebanhos de pequenos ruminantes no
Norte e Centro do País, indicam que um ano após a integração
dos cães nos rebanhos o número de prejuízos
diminuiu em 75% dos casos e manteve-se em 7,5%. Os cães foram
sempre considerados responsáveis pela diminuição
observada dos prejuízos, que variou de 13 a 100%. Mesmo em
casos em que o número de prejuízos não se manteve
ou aumentou, os cães foram considerados responsáveis
por reduzir os prejuízos potenciais (tendo em consideração
a predação registada em rebanhos vizinhos) (Ribeiro & Petrucci-Fonseca,
2005).
Em inquéritos efectuados a 70 criadores de gado que utilizam
cães de gado, oriundos de 16 Estados dos Estados Unidos da América
e de 2 Províncias do Canadá, 89% dos inquiridos consideraram
os seus cães, pertencentes a 5 raças (Komondor, Cão
de Montanha dos Pirinéus, Cão de Pastor da Anatólia,
Akbash e Cão de Pastor Jugoslavo), como uma mais valia em termos
económicos (Green et al., 1984).
Num inquérito a 119 criadores de gado do Colorado (Estados
Unidos da América), os que possuíam cães de gado
(maioritariamente pertencentes às raças Akbash, Komondor,
Cão de Montanha dos Pirinéus e Cão de Pastor Maremmano-Abruzzese)
perderam uma menor proporção de ovelhas e borregos, devido à predação,
que os criadores de gado sem cães (Andelt, 1992).
Noutro inquérito realizado a 217 criadores de gado nos Estados
Unidos da América, proprietários de cães de gado
adultos ( Cão de Pastor Maremmano-Abruzzese, Cão de Pastor
da Anatólia e Cão de Pastor Jugoslavo), 77% referem uma
redução no ano após a integração
do cão, 43% não registaram qualquer predação
ou alteração (Coppinger et al., 1988).
Ao comparar os dados nacionais com os anteriormente
referidos, é preciso
ter em consideração que nos Estados Unidos da América
o principal predador é o coiote, canídeo mais pequeno
que o lobo, que raramente forma grupos maiores que o casal reprodutor.
Os ataques dos coiotes são geralmente realizados por um ou dois
indivíduos, com porte bastante menor que um cão de gado,
o que facilita a protecção dos rebanhos, comparativamente
a um ataque realizado quer por um lobo quer por uma alcateia.
Análise
comportamental
O comportamento dos cães de gado é avaliado, segundo
as três componentes já definidas para este tipo de cães:
Atenção,
Confiança e
Protecção.
Esta avaliação deverá ser baseada na observação
directa dos cães e efectuada por técnicos especializados.
No entanto, a avaliação do desempenho dos cães
pelos criadores de gado tem sido muito utilizada , particularmente
nos Estados Unidos da América.
Para cada componente comportamental os cães são
classificados segundo quatro categorias: Excelente, Bom, Suficiente
e Mau.
Registos
comportamentais
Com base na observação dos cães durante o período
de pastoreio e na corte com o rebanho, foi possível avaliar
63 cães adultos, maioritariamente pertencentes às raças
Cão
de Castro Laboreiro e
Cão da Serra da Estrela da
variedade de pêlo curto. Segundo os resultados obtidos, 92% dos
cães demonstraram um comportamento Bom-Excelente na componente
de Atenção, 98% na de Confiança e
90% na de Protecção (Ribeiro & Petrucci-Fonseca,
2005).
Não existem muitos outros dados que resultem do registo centífico
do comportamento com base na observação dos cães
durante o pastoreio dos rebanhos. É de salientar um estudo realizado
em Itália com 33 cães de gado da raça Cão
de Pastor Maremmano-Abruzzese, sobre o comportamento de Atenção.
Neste estudo, apenas cerca de 50% dos cães observados demonstraram
ter uma Atenção Boa-Excelente (Coppinger et al., 1983).
Inquéritos
aos donos
Em termos de desempenho, dos 40 animais adultos
das raças Cão
de Castro Laboreiro e Cão da Serra da Estrela de
pêlo curto, avaliados pelos proprietários, 90% foram
considerados Bons-Excelentes e nenhum foi considerado Mau. Relativamente às
componentes comportamentais, 80% dos cães foram considerados
Bons-Excelentes em Atenção, 98% em Confiança e
92% em Protecção (Ribeiro & Petrucci-Fonseca,
2005).
Num inquérito efectuado no Colorado (Estados Unidos da América),
que utilizavam cães de gado (maioritariamente pertencentes às
raças Akbash, Komondor, Cão de Montanha dos Pirinéus
e Cão de Pastor Maremmano-Abruzzese), 20 de 22 criadores de
gado avaliaram o desempenho dos seus cães como Bom-Excelente
(Andelt, 1992). Num outro inquérito efectuado em outros 16 Estados
e 2 Províncias do Canadá, donos de 137 cães de
gado pertencentes a 5 raças (Komondor, Cão de Montanha
dos Pirinéus, Cão de Pastor da Anatólia, Akbash
e Cão de Pastor Jugoslavo), consideraram 80% dos cães
como bons guardiães (Green et al., 1984).
Num estudo efectuado ao longo de 7 anos, incluindo
100 cães
de gado pertencentes às três raças mais utilizadas
nos Estados Unidos da América (Cão de Pastor Maremmano-Abruzzese,
Cão de Pastor Jugoslavo, Cão de Pastor da Anatólia),
e seus cruzamentos, a avaliação da Atenção
dos cães efectuada pelos proprietários e considerada
como Boa-Excelente, variou de 49 a 80% consoante as raças. Relativamente
ao comportamento de Protecção os proprietários
consideraram que 74% dos cães eram Bons-Excelentes. No que diz
respeito à Confiança, as avaliações variaram
desde 40 a quase 90%, consoante as raças, embora a maioria esteja
acima de 80% (Coppinger et al., 1988).
Num estudo sobre o desempenho de cães integrados em rebanhos
nos Estados Unidos da América, através de uma avaliação
qualitativa, foram utilizados diferentes critérios relacionados
com o comportamento e eficiência do cão, bem como com
a satisfação do proprietário. Dos 95 cães
adultos avaliados (Cão de Montanha dos Pirinéus, Cão
de Pastor da Anatólia, Akbash e Kuvasz), 66% dos cães
foram classificados como Bons, 14% como Suficientes e 20% como Maus
(Green & Woodruff, 1990).
Satisfação
do dono
Os dados recolhidos junto dos proprietários de 40 cães
de gado adultos das raças Cão de Castro Laboreiro e Cão
da Serra da Estrela de pêlo curto, indicam que mais
de 90% dos proprietários estão muito satisfeitos com
os seus cães de gado, solicitando outros cães para o
rebanho. Apenas um dos criadores de gado que considerou o desempenho
do seu cão Suficiente demonstrou desejo em o substituir por
um outro, mantendo, contudo, a sua confiança na eficácia
destes cães.
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